domingo, 9 de setembro de 2012

O Processo de Industrialização Brasileiro e Seus Reflexos na Indústria Piauiense: o caso da Indústria de Cachaça Orgânica do Médio Parnaíba Piauiense




A indústria é a atividade por meio da qual os seres humanos transformam matéria-prima em produtos semi-acabados ou em produtos acabados. Sua importância é tão grande nos dias atuais que quase tudo o que consumimos e utilizamos é processado ou produzido por ela. Além de oferecer empregos, a indústria produz capital, desenvolve o comercio, os transportes e os serviços, dinamizando a economia.
A origem do processo de industrialização se deu na Inglaterra, durante os séculos XVIII e XIX, e disseminou-se para outros países através da transferência das inovações tecnológicas das então metrópoles para as colônias o que representou o principio da desagregação do sistema imperialista colonial.
Através da analise sobre a evolução histórica do modo de produção industrial, pôde-se reconhecer três estágios mais gerais que são: o artesanato, que corresponde ao estágio em que o produtor executa sozinho todas as fases da produção e até mesmo a comercialização do produto, e isto sem o uso de máquinas, utilizando-se apenas ferramentas simples.
O outro estágio é a manufatura, que corresponde ao estágio em que há uma divisão do trabalho, mas a produção ainda depende fundamentalmente do trabalho manual, embora sejam empregadas algumas maquinas simples. A maquinofatura é o estagio atual, que pode-ser caracterizado pelo emprego maciço de maquinas e fontes de energia modernas, produção em larga escala, e grande divisão e especialização do trabalho.
Do ponto de vista politico-econômico, pode-se dizer que houve três tipos de industrialização: a clássica ou original, a planificada, a tardia ou retardatária. A industrialização tardia é a que nos interessa, pois foi esta que ocorreu no Brasil, e como o nome sugere, foi historicamente atrasada em relação á original, e tem como características a grande quantidade de capital estrangeiro, tem por base o desenvolvimento de indústrias de bens de consumo e utiliza basicamente tecnologia estrangeira.
O processo de industrialização tardia no Brasil teve reflexos no desenvolvimento industrial do Piauí, e discutir esses reflexos consiste no objetivo deste artigo. E para compreender a dinâmica industrial piauiense foi feito um estudo de caso em uma indústria do setor de bebidas que através das análises do sistema de produção foi possível construir uma análise geral sobre a dinâmica da indústria piauiense.


Evolução histórica do processo de industrialização brasileira


Para entendermos como o Brasil chegou a seu estágio industrial e conjuntura econômica, temos que conhecer um pouco do contexto histórico do processo de industrialização do país. Na década de 30 o capitalismo é definitivamente adotado como modelo econômico, firmando-se assim como o principal modelo de produção de riquezas o que possibilitou a livre transformação de matérias – primas em mercadoria, e a crescente especialização do trabalho o que configurou na atual divisão social da sociedade urbano-industrial brasileira.
O crescimento dos mercados e o surgimento de novos produtos instigaram o processo de industrialização, assim no inicio do século XX, a predominância era de indústrias de bens de consumo não-duráveis, compostas por fábricas de tecidos, roupas, alimentos, bebidas e fumo que compunham 70% de acordo com Baer, (2009) de toda a produção industrial brasileira. Dentro deste processo, destacou-se a região Sudeste, que por possuir características econômicas e organizacionais mais desenvolvidas (e isto também é resultado da colonização que desde o inicio já segregava economicamente as regiões brasileiras), tornou-se, portanto o berço da nossa industrialização.
O período pós Segunda Guerra Mundial, foi a época em que a indústria no Brasil deu um grande salto, pois com a crise no mercado externo, no contexto da década de trinta, o pais teve que produzir produtos antes importados e substituir alguns artefatos que já não havia compradores no exterior, como foi o caso do café, à época principal produto de exportação brasileiro.
Como aponta Scarlato, (2003, p 367):

A industrialização brasileira nesse período caracterizou-se por uma explicita intervenção estatal, principalmente por intermédio de investidores nos setores de bens de produção que correspondem à siderurgia, a petroquímica, bens de capital, além da extração mineral e da produção de energia elétrica, E graças a essa intervenção, houve um grande crescimento da produção industrial o que lançou as bases para a consolidação de um parque industrial.

Um outro período marcante da industrialização brasileira é representado pelo governo de Juscelino Kubitschek, onde houve um grande crescimento econômico em consequência da implantação do chamado Plano de Metas. Trava-se de um amplo programa de desenvolvimento que previa investimentos estatais em diversos setores da economia, tornando o Brasil um país atraente aos investimentos estrangeiros. Na execução do plano, os investimentos dirigiram-se aos setores de energia e transportes. Segundo Davidovich e Geiger (1974, p. 121):

Houve um grande aumento da produção de hidroeletricidade e de carvão mineral, que forneceu o impulso inicial no programa nuclear, e elevou a capacidade de prospecção e refino de petróleo, pavimentação e construção de rodovias, além de melhorias nas instalações e serviços portuários, aeroviários e reaparelhamento e construção de ferrovias.

Paralelamente, devido aos investimentos estatais em obras de infra-estrutura, houve um expressivo ingresso do capital estrangeiro, responsável por grande crescimento da produção industrial nos setores automobilísticos, químico-farmacêutico e de eletrodomésticos. O parque industrial brasileiro passou, assim, a contar com significativa produção de bens de consumo duráveis, o que sustentou e deu continuidade á política de substituição de importações.
A política do Plano de Metas foi acompanhada por um significativo aumento da inflação e da divida externa, e além do que, também acentuou a concentração do parque industrial na região sudeste, agravando ainda mais os contrastes regionais e causando implicações serias nas relações socioeconômicas do país.
A inflação acentuou ainda mais no período da ditadura militar, pois embora o parque industrial tenha se consolidado através da constante busca por capital militar, pois embora o parque industrial tenha se consolidado através da constante busca por capital estrangeiro, o que elevou o país na época à 8º maior economia, houve uma crescente divida externa o que reduziu a qualidade de vida da população.
E juntamente com a crise do petróleo, vem o desemprego, a imigração da zona rural para a zona urbana, e conseqüentemente o inchamento das cidades. Só a partir de 1984 a economia volta a crescer, com o PIB atingindo 4,5% e em 1985, passa a 7,4 % e a balança comercial que era deficitária torna-se superavitária. (BRESSER PEREIRA, 1992).

Configurações atuais da indústria brasileira.

Como foi explicitado, a associação de capitais privados nacionais e estrangeiros, com investimentos estatais levou á formação, no Brasil, de um parque industrial que abrange seguimentos industriais de bens de consumo, de produção e de capital.
Contudo o volume de produtos fabricados nas indústrias de bens de capital e de produção é até os dias de hoje, insuficiente para abastecer as necessidades do nosso parque industrial. Consequentemente, ainda é preciso importar máquinas, equipamentos e alguns produtos siderúrgicos especiais não fabricados no país.
Atualmente, a atividade industrial é responsável por mais de 60% do PIB brasileiro. Os setores predominantes são as indústrias siderúrgicas, metalúrgicas, mecânicas, elétricas, química e petroquímica, de veículos, de alimentos e bebidas, têxteis, de confecções, de calçados, de papel e celulose. (IBGE, 2007)
Em conjunto esses setores são responsáveis por mais de 80% do produto industrial do país. Porém vem crescendo bastante os investimentos em indústrias ligadas às novas tecnologias, como robótica, aeronáutica, eletrônica, telecomunicações, mecânica de precisão e biotecnologia. (FURTADO, 1999)
Entre os aspectos positivos da dinâmica atual da indústria brasileira, podemos destacar o potencial de expansão no mercado interno, os aumentos nos volumes das exportações de produtos industrializados, o aumento na produtividade, a melhora da quantidade dos produtos e uma maior dispersão espacial dos estabelecimentos industriais para regiões historicamente marginalizadas, como a s regiões Nordeste e Norte.
Porém a indústria ainda enfrenta vários problemas que aumentam os custos e dificultam uma maior participação no mercado externo como: deficiências e altos preços nos transportes, baixos investimentos públicos e privados em desenvolvimento tecnológico, baixa qualificação da mão de obra e barreiras tarifárias impostas por outros países à importação de produtos brasileiros.

A industrialização piauiense

De acordo com Santana (2003) as primeiras formas de produção industrial surgiram ainda no século XVIII, na cidade de Parnaíba ao norte do estado, com a produção de charque e posteriormente com a exploração de produtos vegetais quem começava a ser exportada para o exterior. Segundo Mendes (2003):

Com o progresso da tecnologia e das formas de produção novas indústrias se instalaram no estado como a de fiação de tecidos (1988), curtume (1993), sal refinado (1908), cerveja, gelo e bebidas gasosas (1912), óleos vegetais (1912 e 1913), mas ainda não representava uma consolidação do processo industrial, pois estes não tinham incentivos fiscais e infraestrutura capazes de atrair indústrias com produtos de valor mais agregado.

                Somente a partir da década dos anos 1970, com os investimentos no setor de energia elétrica, a industrialização no Piauí começa a tomar novos rumos, elevando a participação da indústria na composição do Produto Interno Bruto – PIB de 4,7% em 1965, para 27,3% em 1999(MENDES, 2003).
            Praticamente todo o processo de industrialização se deu na capital do estado, sendo que até o início do século XX, Teresina conservava a marca forte do meio rural, mas destaca Branco (2002) que o poder público já se mostrava preocupado com o seu desenvolvimento econômico, e ofereceu subsídios à iniciativa privada com a finalidade de torná-la economicamente menos dependente.
            Atendendo para este fato foi criado o Distrito Industrial de Teresina, que está localizado na zona sul de Teresina, área inadequada para esta atividade, por estar a montante do ponto de captação de água para abastecimento da população urbana, no rio Parnaíba, o que possibilita a contaminação das águas.
            A situação não é mais grave pelo fato se o setor industrial ainda ser pouco expressivo, favorecendo o controle da poluição. Além disso, grande parte dos lotes do distrito industrial está ocupada por atividades não industriais, como armazenamento e distribuição, minimizando o problema de poluição, mas configurando um uso menos produtivo da área (TERESINA,2002).
            Em Teresina, onde está concentrada a grande maioria das indústrias piauienses, esta atividade, até 1991 era, segundo Pereira Filho (2003), constituídas aproximadamente de 700 unidades, ressaltando maiores destaques para as indústrias de construção civil, bebidas, vestuário, material de transporte, produtos alimentícios e indústria metalúrgica.

CASO DA INSÚSTRIA DE CAHAÇA ORGÂNICA DO MÉDIO PARNAÍBA PIAUIENSE

            Para realização desse artigo escolheu-se trabalhar com a fábrica de bebidas Cachaça Lira, localizada no município de Amarante – PI, possuidor de uma população de 17.892 habitantes, sendo o município pertencente à microrregião geográfica do Médio Parnaíba Piauiense (IBGE, 2007).
            A escolha dessa indústria se deve, primeiramente por entender que esta exerce um papel fundamental na economia do município e também porque representa uma das mais completas fábricas de bebidas destiladas do Piauí, com uma linha de produção completa, incluindo desde a produção da cachaça de alambique a outros produtos agropecuários, além de sua política interna que presa pela sustentabilidade ambiental e pela geração de emprego e renda para a população local.
               A área territorial do Sítio Floresta é de 250 hectares, porém, apenas 15% desse total são utilizados pela empresa para uso agropecuário, os 85% restantes estão contidos na política de preservação ambiental da empresa. Isso demonstra a preocupação dos gestores pela busca da sustentabilidade através de ações concretas de preservação dos recursos naturais do ambiente local.
                 Relativo ao sistema produtivo e as formas da produção da Cachaça Lira, eles ocorrem através de um processo que integra a tradição, pois em suas instalações há a presença de um engenho centenário instalado as margens do riacho Mulato, com a evolução das novas tecnologias representadas pelos alambiques de cobre que integram o sistema produtivo da empresa.
               
Como explica Haroldo Lira (Agrônomo da empresa):
“Nosso produto é resultado de um processo que associa a tradição dos antigos engenhos com a evolução das novas tecnologias. O cuidado se dá em todo processo. A cana é plantada em lavoura orgânica, a colheita é feita da forma manual e o sistema de irrigação é tradicional. O apuro artesanal faz com que a levedura da cachaça se já preservada e traga também benefícios para saúde”
           
            No tocante da matéria-prima, ou seja, a cana-de-açúcar ela é produzida dentro do próprio sítio, que possui características geoecológicas que favorece a produção, pois possui um clima tropical subúmido seco (classificação de Thornthwaite), com médias de precipitações anuais de 1400 mm; solos do tipo: argissolos vermelho-amarelo, associações de latossolos vermelho-amarelos e afloramentos rochosos; além de grande intensidade de vegetação de floresta mista subcaducifólia, vegetação cerrado arbóreo-arbustiva e transição cerrado/caatinga que facilitam o desenvolvimento de plantios de espécies com necessidades hídricas elevadas (AQUIAR,2004).
            Como já relatado o plantio e manejo da cana-de-açúcar, se dá sem aditivos químicos e agrotóxicos. Sendo que a cana é colhida manualmente sem a prática da queimada, e posteriormente passa por uma seleção e limpeza e por fim é moída nas primeiras vinte e quatro horas após a colheita.
            Com o caldo da cana pronto, ela passa agora por um processo de decantação para eliminar impurezas advindas do campo e do próprio maquinário, em seguida, é prosseguido para dornas de aço inox, onde será fermentado por leveduras alcoólicas das linhagens (Sacharomyces Cerevisiae) autóctones do próprio sítio.
            O vinho da cana é destilado em alambique de cobre e somente é aproveitado o coração do destilado (cerca de 15% do vinho da cana). A cabeça e a calda são descartadas por conter metanol, ácidos voláteis, aldeídos e alcoóis superiores altamente prejudiciais à saúde.
            Após o processo de destilação, a Lira é bombeada sem contato manual para tonéis de madeira da espécie Castanheira (madeira considerada o “carvalho” brasileiro) de 700 litros, onde permanece por um período mínimo de 12 meses. O resultado final do envelhecimento da Lira é o aprimoramento das características do sabor, aroma, brilho, maciez e cor.
            Os resíduos produzidos pela produção da cachaça são destinados para outros setores e outras atividades desenvolvidas pela empresa, que correspondem à criação de animais e a adubação de outras culturas agrícolas. Dentre os resíduos o mais prejudicial à saúde é o vinhoto que é resultado da fermentação da sacarose.
            Tendo em vista a potencialidade poluidora desse subproduto a empresa desenvolveu outro sistema produtivo paralelo e complementar a produção da cachaça, que corresponde à produção de álcool combustível através da destilação do vinhoto, sendo que o combustível é utilizado nos automóveis da empresa o que reforça mais ainda o caráter sustentável da política interna promovida pela empresa.
            O Piauí assim como o Brasil, e principalmente as regiões Norte e Nordeste tiveram um processo de industrialização tardio e acanhado. E como reflexo disso o Piauí tem suas atividades industriais baseadas no extrativismo de produtos primários, caracterizando-se como uma região de agroindústrias que não consegue produzir e acumular riquezas para investir em infraestrutura, modernização da economia e conseguintemente um pleno desenvolvimento industrial. E constituindo ainda como agravante que dificulta um efetivo progresso industrial é a situação da desigualdade regional e nacional em que se coloca a indústria do Piauí, pois o fato de suas atividades industriais ainda estarem pautadas na extração de produtos primários, aliada a grande concentração de renda e da propriedade privada, caracterizada pelo uso tradicional da terra com práticas de pecuária extensiva e culturas de subsistência, inviabilizam a atração de investimentos dos agentes que promovem o desenvolvimento industrial. Porém há iniciativas que promovem um avanço na economia piauiense, como é o caso da referente empresa, que foi tomada como estudo de caso, pois alia suas vantagens e potencialidades o investimento em infraestrutura e tecnologias sem esquecer a sustentabilidade ambiental e seu papel social, o que mostra uma realidade nova no cenário industrial do Piauí.

REFERÊNCIAS

AGUIAR,Robério Bôto de.Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água subterrânea,estado do Piauí:diagnóstico do município de Amarante/Organização do texto[por]Roberto Bôto de Aguiar[e]José Roberto de Carvalho.Gomes,Fortaleza:CPRM-Serviço geológico do Brasil.
BAER,Werner.A economia brasileira.Tradução deEdite Sciulli.3. Ed.rev.e atual.São Paulo.Nobel,2009.
BRANCO, P. V. C. Desejos, tramas e impasses da modernização (Teresina 1900-1930). In: Scientia et Spes/Revista do Instituto Camilo filho, vol. 1, nº2, Teresina: ICF, 2002. p. 294-314.
BRESSER PEREIRA,Luís.Economia brasileira:uma introdução crítica.10 ed.Brasiliense.São Paulo,1992.
DAVIDOVICH, F & GEIGER, P.P.Reflexões sobre a evolução da estrutura espacial do Brasil sob efeito da industrialização.Revista brasileira de Geografia,Rio de Janeio.IBGE,1974,ano36,n.3,p.3-29.
MENDES, F. Economia e desenvolvimento do Piauí. Teresina: Fundação Monsenhor Chaves, 2003.
PEREIRA FILHO, F. Indústria teresinense: aspectos da qualidade e da competitividade. In: Carta Cepro. Teresina; v.22; n.2; julho-dezembro 2003.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

AMARANTE EM RADAR\RADAMBRASIL




O projeto RADAM foi desenvolvido na década de 70 pelo governo brasileiro com a finalidade de executar o levantamento dos recursos naturais das regiões Norte e Nordeste do país, a partir de imagens de radar e outros sensores remotos, para assim fornecer em curto prazo, os elementos básicos necessários para os desenvolvimentos de projetos específicos a serem implantados naquelas regiões. Sendo organizado pelo Ministério de Minas e Energia através do Departamento Nacional da Produção Mineral - DNPM, (Atual CPRM) com recursos do PIN - Plano de Integração Nacional.
O Projeto RADAM foi inicialmente concebido para realizar o levantamento integrado de recursos naturais de uma área de 1.500.000 km² localizada na faixa de influência da rodovia Transamazônica, abrangendo os Estados de Amazonas, Pará, Piauí, Maranhão, Mato Grosso, Goiás e Tocantins. Porém, com os sucessos obtidos pelo projeto, em 1975 ampliou-se a área de abrangência para todo o território brasileiro e o projeto passou a ser denominado de PROJETO RADAMBRASIL tornando-se o maior projeto mundial de cobertura radargramétrica efetuada com radar aerotransportado, sendo a plataforma utilizada Avião Caravelle (Figura 01) e um sistema imageador o GEMS (Goodyer Mapping System).

Figura 01 – Avião Caravelle

Disponível em: http://boilerdo.blogspot.com.br/2011/06/1955-apresentado-o-aviao-caravelle.html   Acesso em: 21 Abr 2012.

Este projeto representou um importante avanço tecnológico, pois utilizou um radar de visada lateral (SLAR - side-looking airborne radar) operante na banda X (comprimentos de onda próximos a 3 cm e freqüência entre 8 e 12,5 GHz) que permitia um realce maior da amplitude do relevo, e sendo um sensor ativo, a imagem podia ser obtida tanto durante o dia como à noite e em condições de nebulosidade, devido às microondas penetrarem na maioria das nuvens, além de  possuir uma boa graduação dos tons de cinza ou seja uma boa Resolução Radiométrica.
Além dos levantamentos radargramétricos foram também, realizadas pesquisas de campo apoiado em terra por estações de controle (SHORAN) com alcance espacial de 400 km e por estações de posicionamento via satélite TRANSIT, com precisão de aproximadamente 15 metros, e o datum geodésico utilizado o de Córrego Alegre.
Tendo o objetivo de preservar os originais das imagens de radar a CPRM – Serviço Geológico do Brasil, construiu o projeto RADAM-D que por meio de processo técnico permite a preservação das informações dos negativos e diafilmes originais, a partir de sua digitalização. Essas imagens de radar estão disponíveis no site da CPRM na seção RADAM-D, sendo estes dados articulados em folhas que recobrem o território nacional.
Como exemplo tem se a imagem de radar da faixa 203 da folha SB-23-B Floriano (Figura – 02) que recobre o município de Amarante-PI. Notem a sombra dos planaltos rebaixados e morros testemunhos do tipo mesa típicos do médio Parnaíba decorrente do ângulo de visada lateral do sensor remoto utilizado. É relevante notar a boa qualidade radiométrica das imagens, o que é importante para a interpretação ambiental e também dos estudos de comportamento espectral dos alvos e dos sensores utilizados.


Os dados obtidos pelos levantamentos radargramétricos com a interpretação das imagens de radar na escala de 1:250.000 e dos dados e registros fotográficos obtidos nas pesquisas de campo, possibilitaram a confecção das cartas temáticas e outras publicações contemplando basicamente cinco seções: Geologia, Geomorfologia, Solos, Vegetação, Uso e Potencial da Terra.
As cartas temáticas e as publicações em textos abordam a Morfologia do relevo os padrões de drenagem e fraturamento o traçado de estruturas planares, lineares e tabulares, circulares e dobradas, a topográfia e tonalidade das rochas, a relação de resistência com as rochas circundantes, estilo tectônico, cobertura vegetal e uso e ocupação da terra, características pedológicas e etc.

REFERÊNCIAS
BOAS, José Henrique Vilas. Apresentação. Disponível em: <http://www.projeto.radam.nom.br/apresentacao.html>. Acesso em: 22 de abril de 2012.
CPRM, http://www.cprm.gov.br/ Acesso em 22 de abril de 2012
OLIVEIRA, Sergio Azevedo Marques de (org.) et. al. Projeto RADAM-D - Preservação e disseminação das imagens originais geradas pelos projetos RADAM e RADAMBRASIL. Disponível em http://www.cprm.gov.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=796&sid=9. Acesso em: 22 de abril de 2012.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

FITOGEOGRAFIA SOCIOLÓGICA DA COMUNIDADE QUILOMBOLA MIMBÓ – AMARANTE – PIAUÍ – BRASIL.


A etnobotânica é a ciência que estuda a utilização das plantas por populações tradicionais (JONES, 1941 citado por MAGALHÕES, 2006). Esta ciência não trata apenas em estudos da relação homem-planta mais também considera como objeto de estudo as técnicas de manejo empregadas na conservação das espécies vegetais, os componentes ecológicos, o valor e a importância dos recursos naturais para as comunidades, passando a investigar as relações entre as diversas culturas humanas e a flora a sua volta. Os estudos etnobotânicos aplicam-se às análises da Biogeografia, sobretudo da Fitogeografia Sociológica que estuda as relações entre a sociedade e as espécies vegetais que participam de uma determinada biocenose ou ecossistema (PRANCE citado por MAGALHÕES, 1987).

Abreu (2000) realizou uma pesquisa sobre a diversidade de recursos utilizados pelos quilombolas Mimbó. Sendo que em 0,1 há de área representativa  de duas fisionomias diferentes de cerrado, foi verificado o uso de espécies vegetais por essa comunidade e realizado levantamento florístico e etnobotânico. Desta forma, registrou-se um total de 73 espécies, das quais 78,8% são utilizados pelos Mimbó, sendo que 47,95% são usadas para a construção; 47,95% têm uso medicinal, 27,4% tecnologia, 13,7 % alimento do homem, 13,7% alimento do animal; 6,85% combustível; 5,8% místico e religioso e 2,7% são venenosas. E por meio de um coeficiente de similaridade foi comparada as duas fitofisionomia e constado que a população Mimbó possui um apreciável nível de conhecimento sobre a flora característica de Cerrado (ABREU, 2000; MAGALHÕES, 2006).

   Figura 1 - Atividade de extrativismo vegetal do Tucum (Artrocaryum chambira Burret)

Fonte: LIRA FILHO (2009)


Abreu (2000) constatou que para os Mimbó a flora do cerrado é de grande importância no tratamento de enfermidades, uma vez que grande parte dos medicamentos utilizados pela comunidade é preparada a partir de espécies nativas. Quanto às exóticas, Abreu (2000) descreveu que poucas espécies são cultivadas pela população Mimbó.


ABREU, J.R. Diversidade de recursos vegetais do cerrado utilizados pelos Quilombolas Mimbó (Amarante, Piauí, Brasil). Dissertação de mestrado. Universidade Federal de Pernambuco, Recife. 2000
LIRA FILHO, M.A. 1 fotografia color digital. Amarante - PI, 2009
MAGALHÃES. A. Perfil etnobotânico e conservacionista das comunidades do entorno da reserva natural Serra das Almas, Ceará – Piauí, Brasil. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2006

     

sábado, 17 de dezembro de 2011

O RETORNO DO FILHO

Indicação de documentário!!

Faz um bom tempo que não publico nada aqui no blog e isto devido a falta de tempo, pois estou me dedicando ao máximo à monografia.
Mas um dia desses assistindo a TV Antares (Canal 2) me deparei com um documentário muito interessante intitulado de O RETORNO DO FILHO de autoria de Douglas Machado. O documentário é uma viagem de regresso a Amarante, feita pelo poeta e historiador Alberto da Costa e Silva que é filho do poeta maior do Piauí Antônio da Costa e Silva (1885 – 1950).
 O documentário tem como ponto de partida o livro “A Invenção do Desenho – Ficções da Memória”, onde o poeta Alberto Da Costa e Silva (Figura 1), embaixador brasileiro em Portugal e países africanos, relata através de pontos de vista diferentes, alguns acontecimentos e personagens da história brasileira da década de quarenta em diante.

               Figura 1 – Fotografia do Poeta e embaixador Alberto da Costa e Silva


                                            Fonte: Cabeça de Cuia (2009)

Na obra, o autor narra também fatos cotidianos, observados por terceiros ou por ele próprio; fatos da infância ou dos locais e países por onde andou ou viveu, lembranças que preenchem a maior parte do livro. Por este motivo alguns biógrafos o classificam como um livro de viagens. Douglas acrescentou que seria como um livro de encontros.

O lado emocional em “A Invenção do Desenho” ocorre principalmente nos trechos em que vem as lembranças de seu pai. Em um deles, Alberto Da Costa e Silva narra a morte de seu pai, em seus braços. Deste ponto o autor se vê diante de seu destino, que devido ao amor pelo pai, passa a ser como uma continuação da vida de Da Costa e Silva.
Talvez por isso, Alberto enveredou pela literatura, ao ponto de o levar à Academia Brasileira de Letras. Restaria a ele o reencontro com o passado do pai, o qual só conhecera principalmente através dos poemas e relatos de Da Costa e Silva. E é esse o mote observado por Douglas Machado: o reencontro do poeta com as origens do pai, que são também suas próprias origens.
De acordo com Douglas Machado, a edição de O RETORNO DO FILHO se afasta de uma postura tradicional, cujas ações determinariam as seqüências a serem gravadas, e comporta-se como um observador da realidade desta viagem. “Um dos pontos em que mais poderemos evidenciar O RETORNO DO FILHO como um documentário direto, inspirado no cinema da observação, encontra-se na própria gravação. O que significa que a câmera está ligada e atenta durante todo o filme. A medida certa do produto final é revelada na costura dos fragmentos do cotidiano desta viagem”, diz o diretor
“Neste olhar, a descoberta do outro, reconstrói a terra do pai. E neste solo paterno, o documentário apresenta um certo espelhamento para com o espectador: a memória e a reconstrução da memória”, conclui.

                                                  Vídeo de Divulgação do documentário "O RETORNO DO FILHO"


domingo, 21 de agosto de 2011

DOCUMENTÁRIO SOBRE O PAGODE DO MIMBÓ



Comunidade Mimbó
Fonte: LIRA FILHO. M. A (2009)




     NA SUBIDA DA LADEIRA é um documentário, resultante do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Carolina Soares Durães, do Curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí - UESPI. Neste documentário é apresentado o PAGODE DO MIMBÓ, que é uma pratica cultural desenvolvida na comunidade. 

     Segundo a autora o documentário NA SUBIDA DA LADEIRA aborda o pagode como uma ferramenta de comunicação da identidade do Povo Mimbó e, ainda, relata a história dessa dança, que é uma herança dos remanescentes quilombolas dessa comunidade. 


   É um documentário muito bom e tem grande importância, tendo em vista a escassez de produções acadêmicas sobre a comunidade. É um bom objeto de estudo, sobretudo para a Geografia Cultural que é o campo da Geografia humana que estuda os produtos e normas culturais e suas variações através dos espaços e dos lugares. 


    Portanto esse documentário tem relevância para a Geografia, pois, foca na análise de como as formas de linguagem, artes, crenças e outros fenômenos culturais variam ou permanecem constantes no lugar. 



Pois bom documentário!!!





PARTE - 1




PARTE - 2


OBRIGADO PELA LEITURA! E NÃO ESQUEÇA DE COMENTAR.


domingo, 19 de junho de 2011

Descentralização Econômica no Sítio Urbano de Amarante - Piauí


CENTRO COMERCIAL DA SEDE DE AMARANTE - PIAUÍ

       
Este texto retirado do website www.amarantenet.com.br, mostra o processo de descentralização dos serviços urbanos no centro comercial, e bem como evidencia o processo de modificação da função social do espaço urbano e a quebra da cristalização urbana da sede do município de Amarante, processo este típico de uma economia capitalista, que como é apresentado pelos gráficos  do IBGE se mostra extremamente dependente das transferências econômicas federais tendo em vista o grande papel do setor de serviços e o baixo rendimento do setor primário e secundário, situação agravada ainda mais pelo fato das despesas representarem quase a totalidade dos rendimentos ganhos, impossibilitando muitas vezes em investimentos que tornem a economia mais dinâmica . 

      O Centro da Cidade de Amarante esta cada vez mas deserto, a foto logo abaixo foi tirada em um dia de sábado pela manha e mostra um centro totalmente fechado, ainda funciona a barbearia do seu Benicio e o Detran, um dos motivos é a falta de investimento no setor empresarial,  a burocracia para abrir e manter uma empresa se torna cada vez mais complicado e oneroso, algumas pessoas preferem atuar no setor informal, um setor que cresce na nossa cidade.


     Os pontos Comerciais como o da lanchonete do Pereirinha, o Armarinho da Dona Isabel  que por muito tempo foi uma referencia,  o ponto do zezim, são os pontos que deveriam estar alugados e  funcionando, para que Amarante fortaleça sua economia,  a idéia é  circular o dinheiro na nossa cidade, o que se ganha, se gasta aqui mesmo,  mas isso que acontece no nosso cento da cidade é uma realidade cada vez mas presente nos municípios piauienses.


     Enquanto isso, no centro novo localizado nos arredores do Mercado público, o investimento esta sendo grande, Mercadinho  Santos é uma prova disso, investiu e cresceu e vai crescer ainda mais. A Refasa confecções  também investiu pesado, construiu seu próprio ponto comercial e suas vendas aumentaram.




    Nossa economia é formada pelo setor empresarial, aposentados, servidores municipais e estaduais e o setor informal, o setor rural também contribui, mas nos dias atuais que cada interior tem a sua própria mini economia, a atividade rural apenas sobrevive nos dias de sábado na nossa feira semanal.

Veja Abaixo o Gráfico feito pelo IBGE sobre a nossa economia:





FONTE: PORTAL AMARANTENET, Disponível em: <http://www.amarantenet.com.br/portal/index.php?pg=noticia&id=116> Acesso: 19 de Junho de 2011. 


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terça-feira, 7 de junho de 2011

AMARANTE: UM GRANDE MOMENTO NA CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL DO PIAUÍ

Este texto, foi produzido na disciplina de Organização Espacial do Piauí e mostra um importante momento da história de Amarante, no contexto da configuração territorial do Piauí, neste texto é possível evidenciar a principal atividade produtiva que deu importância econômica da cidade para o Estado do Piauí e bem como os processos que levaram à decadência. Portanto boa leitura!!!!  
Em reflexões sobre a construção do espaço geográfico do Piauí é inerente discutir que as configurações territoriais de um determinado período são resultantes da interação de um conjunto de fatores endógenos, mas, sobretudo a fatores exógenos que modificam o próprio lugar, gerando novos fenômenos e dinâmicas que criam ou recriam condições sociais, portanto redefinem a significação de cada lugar. Atentando a este fato, é preciso compreender que em muitos contextos as origens e a história inicial do Piauí se prendem a fatos e a realidades externas como: a expansão dos engenhos e das fazendas de criação, a motivos militares, às dificuldades na navegação da costa, à crise do açúcar e entre outros motivos. E é este enfoque que norteia a construção deste texto que consiste em compreender e representar a formação territorial piauiense no período correspondente ao século XVII e a primeira metade do século XX através do entendimento dos reflexos históricos sobre o espaço.
Para compreender o processo de formação territorial do Piauí, é preciso antes de tudo entender o panorama econômico do Brasil no século XVII, pois é a partir dessa temporalidade que a base espacial do Piauí começa realmente a se configurar. O século XVII é caracteristicamente marcado pelo predomínio da economia açucareira no Nordeste e sendo esta atividade econômica altamente rentável, levou ao aumento da demanda de carne, como artigo de consumo, e do boi como animal de tiro.
A atividade criatória que num primeiro momento se desenvolveu na faixa litorânea, dentro dos próprios engenhos e atendia as necessidades destes no que se refere à força motriz e suprimento interno de carne. Num segundo momento, tornou-se incompatível, pois logo se evidenciou os problemas advindos da atividade criatória dentro das terras disponibilizáveis para o cultivo da cana.
Em virtude disso a atividade criatória teve que expandir-se para o interior nordestino e com essa interiorização as terras do Piauí são ocupadas e chegam aqui os primeiros ocupantes que não encontraram bases sólidas para garantir a sobrevivência e elevação do nível de vida na faixa litorânea e que aqui ao chegarem instalam as primeiras fazendas de gado ao longo dos vales dos rios, sobretudo no vale do rio Canindé (ver Mapa I). Assim o início da configuração territorial piauiense foi todo definido pela atividade criatória, que diferentemente do que ocorria na faixa litorânea, aqui a pecuária tornou-se a atividade econômica básica e a mais dinâmica.

        A criação de gado no Piauí foi feita de forma extensiva, isto é, o gado era criado solto nos campos sem a utilização de técnicas adequadas de criação, com baixo investimento de capital e baixa remuneração do fator trabalho. Daí porque as fazendas ocupavam imensas extensões de terras, pois estas iam se expandindo à medida que o gado avançava.

Mapa – 1 - Configuração Territorial no século XVII
O objeto de estudo geográfico consiste nas Fazendas e no Vaqueiro que é o elemento cultural do espaço em construção.


A pecuária piauiense vista no âmbito da dinâmica da economia colonial, isto é, dependente dos mercados consumidores externos (Bahia, Pernambuco, Maranhão, Minas Gerais, dentre outros) naturalmente estava sujeita a crises que ocorressem nestes mercados. Tendo em vista esse fato o avanço da atividade criatória para o norte do território piauiense, sendo ainda através dos vales dos rios no século XVIII, tornou os núcleos produtores cada vez mais distantes dos centros consumidores o que tornava os produtos da pecuária menos rentáveis e que combinado com reduzido mercado interno, devido à rarefação da população, e a própria crise que passava a colônia e notadamente a crise açucareira e posteriormente a redução do poder de rentabilidade do mercado de Minas Gerais, criou uma economia essencialmente de subsistência e estagnada que perdurou praticamente todo o século XVIII.
     Vale ressaltar também, importantes marcos na configuração territorial do Piauí que correspondem ao surgimento da Vila da Mocha (Oeiras) em 1717 (ver mapa 2), que elevada à categoria de cidade representou a centralização do poder e deu suporte para a expansão do povoamento que culminou com a emancipação territorial do Piauí da capitania do Maranhão criando assim uma nova individualidade Territorial.

Mapa – 2 – Configuração Territorial do século XVIII
Neste contexto o início da centralização do poder e das decisões pela cidade de Oeiras, torna possível a progressiva individualização territorial e política da capitania do Piauí.


A crise da economia nordestina e das atividades produtivas em Minas Gerais, e juntamente com novos contextos econômicos a nível global, deslocou para o Centro-Sul o eixo dinâmico da economia brasileira. Com isso, a pecuária piauiense envereda num contínuo e prolongado processo de decadência, marcado principalmente pela descapitalização cada vez maior das fazendas e o aprofundamento das relações pré-capitalistas.
No início do século XIX a pecuária ainda é a primeira fonte de riqueza no Piauí, mais ainda não tem potencial para mudar o caráter de subsistência da economia. Entretanto um novo contexto na dinâmica econômica do Brasil que é representado pelo renascimento da agricultura, notadamente a agricultura de exportação, desencadeou um novo fluxo só que agora do interior para o litoral. O Piauí não se integrará nesse movimento, mas dele participará, embora em  pequena escala.
No que se refere à produção agrícola no Piauí Colonial, este setor possuía pouca expressividade. Entretanto com o aumento populacional e a organização de alguns centros urbanos, criou-se um incipiente mercado consumidor interno o que exigiu uma maior oferta de produção agrícola de subsistência e para fazer face a essa nova realidade, se fez necessário utilizar a parte da receita obtida com a venda do gado na compra de gêneros alimentícios.
Para se fazer uma análise da agricultura piauiense no período colonial, primeiramente é preciso levar em conta a questão ecológica e a prioridade dada à pecuária. Todavia, é necessário que se dê ênfase à questão da extrema concentração de terras que se iniciou exatamente com o povoamento, onde as grandes propriedades se dedicavam a criação extensiva de gado e, portanto relegava a agricultura a um segundo plano.

       A produção de gêneros agrícolas normalmente era feita em pequenas propriedades, e sítios ao longo das margens dos rios e, sobretudo na região da cidade de Parnaíba que com a riqueza produzida pela exportação do algodão do Maranhão deu suporte para a produção do algodão piauiense que se produzia nas margens do Rio Parnaíba. A cultura do algodão teve um grande aumento de rentabilidade, sendo os maiores produtores as cidades de Teresina, (então capital da província), São Gonçalo (Amarante), União, e Parnaíba (ver Mapa – 3) que com o porto representava a saída da produção para os mercados internacionais, o que fez o Piauí entrar na divisão internacional do Trabalho.

Mapa – 3 – Configuração Territorial do século XIX
Com a atividade pecuária estagnada e o algodão tendo inicialmente bons rendimentos o eixo econômico do Piauí migrou para a região norte do Estado tornando-a mais dinâmica no contexto do século XIX.

O Piauí continuará exportando algodão, em estado bruto ou em pluma, tanto para a Inglaterra como para as manufaturas do Sul do país. Entretanto, outro produto assumirá o primeiro plano, de modo a permanecer o Estado participando do comércio mundial. Trata-se da borracha.
O início do século XX é marcado pela produção das atividades extrativistas. A primeira a se destacar foi a extração do látex da Maninçoba para a produção da borracha, que apesar da devastação praticada nas matas pelos que se dedicavam a sua extração, apresentava-se como uma das principais fontes de receitas, que possibilitou o fomento de melhorias na infra-estrutura dos principais centros urbanos produtores e distribuidores da produção, como Teresina que a partir do lucro da atividade possibilitou inicializar o serviço de distribuição de água e energia.
A produção de borracha de maniçoba foi o elemento inicial da expansão de municípios como: Canto do Buriti, São Raimundo Nonato e Simplício Mendes. E também reorientou e deslocou centros comerciais, como o caso de Floriano que ganhou uma dinâmica econômica que fez mudar as principais firmas do comércio do município de Amarante que perdeu sua projeção devido à queda da cultura do algodão.
Já no final da primeira década do século XX, a rentabilidade da borracha decaiu, e o Estado se viu necessário a utilizar uma outra atividade que pudesse substituir os rendimentos da borracha de Maninçoba. Essa atividade seria a extração da cera de Carnaúba, que já em 1911 ocupava o segundo lugar na ordem de importância dos produtos exportados.
Por causa do incipiente desenvolvimento industrial do País, a comercialização da cera se mantinha dependente das oscilações do mercado internacional. Isso é bem visível quando se analisa a destinação das exportações onde antes da primeira guerra mundial, a Alemanha era a principal comprador e logo depois com o fim da primeira guerra e posteriormente da segunda grande guerra os Estados Unidos absorveram a maior parte da produção para exportação. Um outro produto extrativista que ganhou projeção nesse contexto histórico foi o Babaçu, mais como a exemplo da cera, o babaçu teve um ápice mais logo depois decrescia a atividade em virtude de uma situação desfavorável do comércio mundial e pelo incipiente desenvolvimento industrial brasileiro.
Em 1950, a população piauiense alcançava mais de 1 milhão de habitantes, sendo os principais aglomerados urbanos as cidades de Teresina, Parnaíba e Floriano. Neste contexto 82,2% da população ativa dedicavam-se ao setor primário, 3,7% ao setor secundário e 14,1% aos serviços. Refletindo sobre essa distribuição dos setores produtivos é possível evidenciar a dependência do território aos produtos manufaturados importados tendo em vista que a maior parcela da economia está inserida no setor primário.
Com a queda da rentabilidade dos produtos extrativistas o Estado se viu obrigado a intensificar as suas relações com os demais Estados nordestinos, mas para isso era preciso investir nas vias internas objetivando ligar os principais centros urbanos. Os investimentos públicos federais em rodovias beneficiaram Teresina, então a maior aglomeração urbana e para onde convergem as principais vias, o que a tornou na principal economia de mercado do Piauí assegurando um maior fluxo de renda na região norte do que em relação a outras regiões do Estado, ampliando assim, as desigualdades regionais. Vale ressaltar também, que com a abertura da economia estadual, cidades como Floriano, Campo Maior e Picos, (ver Mapa 4) ganham importância como centros comerciais.

Mapa – 4 – Configuração Territorial (1900 – 1960)


Com o campo em permanente crise e um setor industrial incipiente, resta ao setor terciário o comando da economia do Estado. Em virtude disso a década de 60 é marcada pela expansão do setor terciário e a reafirmação do papel que cabia ao Estado, dentro da divisão regional do trabalho, sendo ele um exportador de matérias primas, importador de bens transformados e dependente de transferências federais.
O exposto acima é suficiente para caracterizar o território piauiense que desde o início da sua formação até os anos de 1960, os fatores externos têm uma predominância maior na configuração do Espaço e isso pode ser apontado como o principal motivo para a dependência externa e conseqüentemente para a dependência das transferências econômicas da União.
Refletindo sobre o que foi exposto, é possível deduzir que a construção do território piauiense pode ser compreendida através da interpretação de que ele é resultante de um conjunto de interações entre os elementos endógenos e exógenos, sendo que os elementos exógenos permitem ações que modificam a dinâmica territorial, gerando assim novas configurações espaciais e condições sociais que, portanto redefinem a significação do território. Na configuração territorial piauiense da primeira metade do século XX, marcado pela dinâmica capitalista e pela divisão social do trabalho e da riqueza as atividades econômicas são cada vez mais artificiais e mais fixados ao solo, ou seja, cada vez mais são implantadas conjunturas espaciais que são adversas à naturalidade do território piauiense o que gera fenômenos e formas espaciais as mais diversas.

    Outro ponto importante para refletir é que na formação territorial do Piauí as condições naturais influenciaram bastante nas formas de uso e ocupação destinadas a esse território. Não tendo aqui uma visão determinista da natureza sobre o espaço trabalhado pelo homem, paradigma este já há muito superado pela ciência geográfica, e nem tão pouco dotar à sociedade local de uma separação total da natureza com a produção e reprodução dos agentes e formas espaciais empreendidas pela ação antrópica, é inerente para se conhecer a real evolução do Espaço entender o Piauí como um reflexo das condições naturais mais também como um espaço condicionado pelas ações e estratégias da sociedade capitalista.


REFERÊNCIAS UTILIZADAS                                                                                                           



FUNDAÇÃO CENTRO DE PESQUISAS ECONÔMICAS E SOCIAIS DO PIAUÍ. Piauí: evolução, realidade e desenvolvimento. Agenor Martins... [et ali] 3. Ed., ver. – Teresina: Fundação Cepro, 2003.
SANTANA, R. N. M. de. Evolução histórica da economia piauiense. 2. Ed. Academia Piauiense de Letras – Banco do Nordeste. Teresina, 2001.
SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo. Razão e Emoção. 4. Ed. 1. Reimpr. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004. (Coleção Milton Santos).

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